Para além da função que eles exercem no ecossistema, cada espécime possui o direito à vida e a liberdade
Santa Maria da Vitória/BA – Aconteceu nessa quinta-feira (28), no Oeste baiano, a soltura dos animais silvestres resgatados pela 53ª da Fiscalização Preventiva Integrada do São Francisco. A ação, devolve para a natureza as espécies resgatadas durante a atuação das equipes de Fauna em Santa Maria da Vitória e 10 outros municípios da região contemplados pela etapa.

Entre as espécies popularmente conhecidas como papa capim, sofrer, asa branca, cardeais, tico-tico, trinca ferro, sabiá, 175 aves foram reintroduzidas à natureza nessa manhã, em uma ação que começou às 3 da madrugada, com a acomodação dos animais para o transporte até a chegada da área de soltura.
A reintrodução dos animais na natureza sempre é realizada em uma área protegida, definida antecipadamente após estudos minuciosos, que avaliam a incidência dessas espécies no local e a viabilidade de água e alimentos. Aqui na 53ª da Fiscalização Preventiva Integrada no Oeste baiano, o local escolhido pelos especialistas foi uma RPPN – Reserva Particular de Patrimônio Ambiental, um tipo de unidade de conservação que possui suporte de água e alimentação para os animais libertados e que também é considerada uma ASAS – Área de Soltura de Animais Silvestres.










As equipes de Fauna – Fauna Base, Fauna Campo e Fauna Entrega Voluntária – que se reúnem nesse momento de culminância do trabalho desenvolvido por eles na etapa, deixam uma fonte alimento disponível no entorno da área de soltura, até que as aves de fato passem a se alimentar sozinhas.
“Só são encaminhados para a soltura os animais considerados aptos na avaliação dos veterinários e biólogos da base, os animais que mantém as características naturais e a integridade física preservada, que tenham condições de sobreviver na vida livre”, explica Mylla Roberta, veterinária da ONG Animállia e Coordenadora da equipe Fauna Base. “Esse é o momento mais emocionante da etapa para nós, ver o animal que superou os maus tratos e privações, recuperado e livre de volta na natureza, de onde nunca deveria ter sido tirado”, completa Mylla emocionada.

Essas aves, antes da soltura, passaram por uma avaliação criteriosa na base Fauna, com exames físicos, avaliações clínicas de especialistas e o manejo correto – que é específico para cada espécie. Até agora, a equipe Fauna Base recebeu 411 animais, entre aves, jabuti a e 1 cachorro. Desses, 175 aves foram devolvidas ao meio ambiente durante a soltura, mas 218 animais permanecem sob os cuidados da equipe na base em Santa Maria da Vitória. A maioria, psitacídeos, que levam um tempo maior para serem reabilitados. Nesse caso, ao fim da etapa, com o deslocamento da equipe, os animais seguirão para a base do CETAS para reabilitação.

As equipes de Fauna contam ainda com a sensibilidade da população para acolhimento do cachorro, resgatado em condições graves de desnutrição e desidratação, com uma hérnia bastante desenvolvida e precisando de cuidados imediatos. Na base recebeu toda a medicação necessária e fez exames de sangue, que detectaram alterações renais entre outras. Os médicos veterinários providenciaram o tratamento, mas por estar muito debilitado o cão não pode ser operado.

“Apelidamos ele de Fran em homenagem ao Rio São Francisco. Ele é um cão idoso muito dócil, muito tranquilo. Já providenciamos a cirugia para retirada da hérnia, mas ele está com os exames alterados e não tem como passar pelo procedimento agora, precisa ser estabilizado. Então a gente conta com o apoio da população para acolhê-lo até que ele possa se recuperar, afinal, ele também merece ficar bem e viver com dignidade”, apela Roberta.
Para mais informações sobre o cão Fran, entre em contato com a Animallia no WhatsApp (75) 99242‑7737.
Sobre a FPI
Criada na Bahia em 2002, a FPI do Rio São Francisco é um programa coordenado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). De caráter multidisciplinar, a iniciativa tem como objetivos melhorar a qualidade e quantidade dos recursos hídricos na bacia e a vida das comunidades e povos tradicionais, além de combater os crimes ambientais, os impactos dos agrotóxicos e defender a preservação do patrimônio arquitetônico, cultural e imaterial da bacia.
O programa avançou e hoje a FPI do São Francisco também é realizada nos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Minas Gerais. Em 2024, o programa foi o grande vencedor do Prêmio Innovare, em parceria com o Ministério da Justiça, a Advocacia-Geral da União, associações jurídicas e conselhos de justiça do país, com apoio do Grupo Globo, na categoria Ministério Público, a mais alta honraria concedida ao Sistema de Justiça brasileiro. Em 2020, a FPI do Rio São Francisco já havia sido premiada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) como o maior indutor de políticas públicas do país.
Conheça as instituições e entidades da sociedade civil parceiras da FPI/BA:
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