FPI do Rio São Francisco resgata duas araras-canindés e um papagaio-verdadeiro em Santana/BA

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Programa já apreendeu ou recebeu voluntariamente 187 animais silvestres, sendo 183 aves e 4 jabutis

Santana/BA – Em mais uma ação de defesa da fauna silvestre, a Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco da Bahia (FPI/BA) apreendeu duas araras-canindés (Ara ararauna), um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) e pássaro-preto (Gnorimopsar chopi) numa residência localizada em Santana, no oeste da Bahia.

Os animais foram levados para o centro de tratamento provisório do programa, em Santa Maria da Vitória a fim de receberem os primeiros cuidados.

O resgate ocorreu durante a atuação da Equipe Fauna Campo, que escutou as aves. “Estávamos começando a fiscalização em um dos nossos pontos de interesse na cidade e escutamos a vocalização típica das araras. Com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, nos deslocamos até o local e encontramos os animais sendo criados sem a autorização dos órgãos competentes”, informou a coordenadora da Equipe Campo, Carla Guimarães.

O responsável por apanhar e manter em cativeiro as aves silvestres recebeu um auto de infração, com base no art 176 da Lei 10431 e no Decreto 14024/2012 que regulamenta as infrações ambientais no âmbito estadual.

Acolhimento das aves

Em Santa Maria da Vitória, a Equipe Fauna Base acolheu as quatro aves. Ao chegarem do campo, elas receberam hidratação e permaneceram no seu local de repouso, que também foi apreendida pela FPI/BA. Na sequência, os animais serão submetidos à triagem individual, quando ocorrerá a avaliação clínica por um médico-veterinário.

“Esses animais passarão por um exame físico completo, para que a gente possa avaliar o estado de saúde. Precisamos saber se estavam recebendo manejo alimentar de forma adequada para a espécie, se conseguem comer sozinhas, se estão estressadas. A depender dessas primeiras informações, definimos para onde elas serão direcionadas”, explicou a médica-veterinária Mayara Horn (Inema), da equipe Fauna Base.

Os animais que possuem condições de soltura são reintroduzidos no seu habitat natural ainda durante a etapa da FPI/BA. Já os que estão inaptos e precisam de reabilitação, receberão os primeiros tratamentos, entre eles o de enfermaria, antes de serem encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

O centro de tratamento provisório de Santa Maria da Vitória já recebeu 187 animais apreendidos ou entregues voluntariamente, sendo 183 aves e 4 jabutis.

As equipes Fauna Campo e Fauna Base são formadas por técnicos do Inema, Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Bahia, ONG Animallia e Polícia Rodoviária Federal.

Risco de extinção

A arara-canindé (Ara ararauna) é uma espécie de larga distribuição, porém, com populações cada vez mais reduzidas, chegando até mesmo à extinção em algumas regiões do Brasil. Ocorre natural e prioritariamente em áreas de Cerrado onde podem ser vistas voando livres no oeste da Bahia e na região do Matopiba, com registros também em áreas de Mata Atlântica e Amazônica.

O declínio de suas populações está relacionado tanto ao avanço indiscriminado das grandes monoculturas quanto ao tráfico de animais silvestres. Se reproduzem em ocos de palmeiras mortas, inclusive em áreas urbanas, onde podem formar grandes bandos, sempre com grupos familiares de até três indivíduos.

Da mesma forma que é feito a cada etapa da FPI/BA, aqui em Santa Maria da Vitória as equipes Fauna investem no viés socioeducativo por onde passam, reforçando a conscientização e reiterando que o lugar das espécies silvestres é na natureza. A entrega voluntária é o momento de fazer essa reparação, libertando o animal do cárcere e sem sofrer qualquer tipo de sanção. Basta entregar o animal na base Fauna, localizada na Avenida Brasil, nº 17 – Santa Maria da Vitória, das 09h às 17h, até o dia 28 de maio.

Sobre a FPI

Criada na Bahia em 2002, a FPI do Rio São Francisco é um programa coordenado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-BA), pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). De caráter multidisciplinar, a iniciativa tem como objetivos melhorar a qualidade e quantidade dos recursos hídricos na bacia e a vida das comunidades e povos tradicionais, além de combater os crimes ambientais, os impactos dos agrotóxicos e defender a preservação do patrimônio arquitetônico, cultural e imaterial da bacia.

O programa avançou e hoje a FPI do São Francisco também é realizada nos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Minas Gerais. Em 2024, o programa foi o grande vencedor do Prêmio Innovare, em parceria com o Ministério da Justiça, a Advocacia-Geral da União, associações jurídicas e conselhos de justiça do país, com apoio do Grupo Globo, na categoria Ministério Público, a mais alta honraria concedida ao Sistema de Justiça brasileiro. Em 2020, a FPI do Rio São Francisco já havia sido premiada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) como o maior indutor de políticas públicas do país.

Conheça as instituições e entidades da sociedade civil parceiras da FPI/BA:

CBHSF | MPE BA | MPF | MPT | CREA BA | Agendha | Animallia | APV | CFQ | CFT | CRMV BA | CRQ | CRT BA | DPE BA | DPU| FBCA | Fundação José Silveira | Germen | Hori | IRPAA | OAB BA | Sintec BA | ADAB | AGERSA | BAHIATER | CERB | DEFESA CIVIL | DIVEP | DIVISA | INEMA | IPAC | CORPO DE BOMBEIROS BA | CIPPA | COPPA | PM BA | POLÍCIA CIVIL BA
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