A data surge da necessidade de um dia emblemático de respeito e conscientização, mas a prática exige de nós essa postura diariamente, já que a luta dos povos originários pela manutenção de sua cultura, pelo respeito ao seu modo de vida e pela garantia de viver em seus territórios continua e é preciso ações concretas para mudar essa realidade.
Embora seja nos territórios dos povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais onde estão as áreas de maior preservação das águas, da floresta e da biodiversidade – tão caros para esses povos, que, desde sempre, tem um vínculo ancestral com a terra, de onde tiram o seu sustento e para onde devolvem a sua própria vida – são estes mesmos povos os que mais sofrem com os impactos dos diversos empreendimentos, seja por contaminações por agrotóxicos, desmatamentos, grilagem verde e outras tantas formas de injustiça ambiental.
Os povos indígenas, tal qual outras minorias, sofrem diversos preconceitos. Tiveram sua identidade prejudicada por adjetivos pejorativos, onde a palavra “índio” muitas vezes é usada como sinônimo de falta de conhecimento, quando, na verdade, o saber primeiro – do entendimento profundo da flora e do que brota da terra, tantas vezes trouxe cura e alimento – é dos indígenas. Para eles, a terra é viva.
O imaginário da sociedade forjou-se na ideia de que indígena é aquele com um padrão de cabelo, de cor de pele e que estará sempre com pinturas, cocar e vestimentas. Mas os indígenas estão interagindo com a comunidade, possuem acesso à internet, utilizam roupas, celular e isso não os torna menos indígenas ou invalida sua origem, do mesmo modo que o branco ou o negro com cocar não passa a ser indígena.
A bacia do São Francisco – ou Opará, em dialetos indígenas, que significa rio-mar – possui 70 mil indígenas em suas extensão, distribuídos em 32 povos que vivem e dependem do Velho Chico. Ao longo de 52 etapas, atuando junto aos povos originários, o programa FPI do São Francisco apurou que a maior demanda dos povos indígenas na bacia é a regularização dos seus territórios e, em seguida, o acesso a água em quantidade e qualidade.
Esse 19 de Abril nos convida a abrir os olhos, com seriedade, para os terríveis embates que acontecem em boa parte do Brasil, onde os povos indígenas ainda travam batalhas sangrentas por seus territórios, compelidos a provar sua ancestralidade, tendo sua cultura e modo de vida contestados e invalidados em meio a conflitos violentos.
A FPI, que defende a bacia do Rio São Francisco e os direitos de seus povos, neste dia renova o compromisso com os Povos Indígenas e com o respeito pela sua identidade e cultura.
Viva os Povos Indígenas do Velho Chico, que tem na sua formação a presença indígena tão marcante e diversa!







