Equipamento volta ao local de origem, mas ainda precisa de manutenção; experiência reforça a importância da fiscalização, da cooperação institucional e do compromisso político com a população
A segunda vistoria da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do São Francisco em Olho d’Água das Flores revelou uma mudança significativa. Um sistema de dessalinização que, na semana anterior, havia sido encontrado transformado em moradia particular, com risco de perda total do maquinário, foi recuperado e reinstalado pela gestão municipal.
A ação imediata da Prefeitura do Município, após o alerta da FPI, não apenas devolveu o patrimônio ao uso coletivo, como também mostrou que, com vontade política e compromisso, é possível reverter situações de irregularidade e restabelecer serviços essenciais.
Da invasão ao resgate do patrimônio público
Na primeira visita, a equipe de Abastecimento de Água Urbano e Esgotamento Sanitário da FPI havia encontrado um cenário preocupante no sítio Sucupira: o dessalinizador estava a céu aberto, exposto a sol e chuva; bombas e caixas haviam sido retiradas; e a casa de abrigo, construída para proteger o equipamento, tinha sido ocupada por um morador, transformada em residência particular. O risco era de perda total da funcionalidade do sistema, instalado com recursos federais e estaduais para garantir água potável à população.




Com a denúncia formalizada, a prefeitura agiu rapidamente. O espaço foi desocupado, o equipamento recolocado em seu devido lugar e o sistema voltou a operar. Ainda será necessária uma revisão técnica completa, já que os dias de exposição comprometeram o maquinário, mas o abastecimento voltou a ser possível.
“Estamos aqui retornando a Olho d’Água das Flores e encontramos uma ação proativa da prefeitura. O equipamento foi recolocado no local, o poço está funcionando e o chafariz também. É um momento importante, que mostra que é possível mudar quando há vontade política e compromisso. O município está de parabéns”, destacou Elisabeth Rocha, coordenadora da equipe de Abastecimento de Água Urbano e Esgotamento Sanitário da FPI.

Prefeitura anuncia transferência do dessalinizador
O secretário municipal de Administração, Rafael Quintela Vicente, explicou que a comunidade atendida pelo sistema já havia recebido rede de água encanada, o que levou ao abandono gradual do equipamento.
“Esse equipamento perdeu a função inicial porque conseguimos levar água encanada para todas as casas. Agora, a ideia é transferi-lo para uma comunidade que ainda sofre com a falta de abastecimento. O importante é que ele volte a cumprir sua função social”, disse.
A procuradora-geral do município, Luciana Silva, reforçou a relevância da parceria com a FPI.
“A gente enxerga essa ação não como mera fiscalização, mas como orientação. Muitas vezes, pela dimensão das responsabilidades, o município não consegue perceber todos os problemas. Esse trabalho conjunto nos ajuda a melhorar as ações e a corrigir situações que poderiam passar despercebidas”, afirmou.









Ministério Público destaca caráter educativo da FPI
O promotor de Justiça Alberto Fonseca ressaltou que a atuação preventiva é a essência da FPI.
“Verificar não conformidades e buscar a adequação de fatos negativos é um dos objetivos da Fiscalização Preventiva Integrada. Aqui a irregularidade foi identificada, e a gestão municipal, de imediato, reverteu o quadro. Agora o equipamento passará por manutenção e poderá abastecer outras áreas que enfrentam carência hídrica. Esse é o trabalho da FPI”, disse.
O olhar de quem sofre com a falta d’água
Se, de um lado, a solução para a comunidade do Sítio Sucupira já chegou por meio da rede encanada, em outras localidades o drama da água ainda é parte da rotina. A dona de casa Luana da Silva relatou as dificuldades de viver sem abastecimento regular.
“Há dias em que meus filhos perdem aula porque não tem farda limpa, já que falta água até para lavar. A gente passa o dia com 100 ou 200 litros para tudo: beber, cozinhar, dar aos animais, lavar roupa. Já pedi várias vezes para colocarem água na minha casa e nunca fomos atendidos. É muito sofrimento. Espero que agora as coisas mudem, porque já me humilhei demais atrás dessa água”, contou emocionada.
O relato de Luana reforça a urgência de manter os equipamentos funcionando e de ampliar o alcance das políticas públicas de abastecimento.
Educação, compromisso e transformação
A rápida resposta em Olho d’Água das Flores evidencia que a FPI não se limita a apontar irregularidades: sua força está no caráter educativo, orientando gestores e comunidades para transformar problemas em soluções. A parceria entre órgãos de controle, municípios e sociedade é o que garante a proteção de recursos e a dignidade de famílias que ainda enfrentam a escassez.
“Quando há comprometimento da comunidade, suporte técnico e vontade política, os sistemas de dessalinização funcionam, cumprem sua função social e melhoram a qualidade de vida das pessoas”, reforçou Elisabeth Rocha.
A equipe de Abastecimento de Água Urbano e Esgotamento Sanitário da Fiscalização Preventiva Integrada é formada por representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), Conselho Regional de Química da 17ª Região (CRQ-17), Conselho Regional dos Técnicos Industriais da 3ª Região (CRT-3), Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Ministério Público Estadual (MPE), Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).
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