Perímetro do Gavião: primeiro projeto irrigado do Canal do Sertão promete transformar o semiárido alagoano

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Com acompanhamento da FPI, água do São Francisco chega para irrigar 300 hectares em São José da Tapera e fortalecer a agricultura familiar

O Perímetro Irrigado do Gavião, em São José da Tapera, marca um divisor de águas para o Canal do Sertão. É o primeiro projeto de irrigação executado com recursos internos do Estado de Alagoas, que, com acompanhamento da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), leva a água do Rio São Francisco para fortalecer a agricultura familiar, atrair investimentos e garantir desenvolvimento sustentável ao semiárido.

Desenvolvimento regional e participação social

A promotora de Justiça Lavínia Fragoso destacou o papel estratégico do projeto:

“Um dos objetivos do Canal do Sertão de Alagoas, por meio da água que vem do Rio São Francisco, é fomentar o desenvolvimento regional. Ou seja, conseguir que, através de projetos, parcerias e incentivos, a economia da região seja aquecida, que haja capacitação e utilização da mão de obra local e um incremento na produção agrícola do nosso estado”.

Ela ressaltou ainda que o acompanhamento do Ministério Público garante transparência e articulação entre as instituições e a sociedade civil:

“A FPI cumpre essa atribuição de reunir diversos atores, mapear ações positivas e identificar gargalos que precisam ser melhorados. É uma construção participativa e democrática, na qual a associação dos usuários do Canal do Sertão tem voz ativa, porque representa aqueles que vivem a experiência no dia a dia”.

Obras em fase final

O projeto, iniciado em 2021 pela Secretaria de Infraestrutura, está na reta final. Segundo Eduardo Passos, gerente de planejamento estratégico da Seinfra, restam apenas ajustes estruturais:

“O prazo que nós temos para entregar à população é de 60 dias. O que falta são os acessos, a rede elétrica e o cercamento das áreas. É uma obra social de importância relevante para a região, porque com ela vamos conseguir desenvolver outros projetos do mesmo porte”.

Ele lembrou que a vocação é atender a quem mais precisa:

“Não são grandes projetos, mas pequenos projetos que funcionam e atendem à agricultura familiar e à população rural, a mais necessitada. É assim que justificamos o uso e a execução continuada do Canal do Sertão”.

A secretária executiva de Políticas Agropecuárias e Agronegócio da Seagri, Aline Melo, destacou o papel da pasta no projeto:

“A Seagri é a idealizadora do Perímetro Irrigado do Gavião e tem atuado para transformar essa proposta em realidade. Estamos finalizando o edital de licitação dos 18 lotes, dos quais três serão destinados à agricultura familiar e um voltado a estudos técnicos em parceria com instituições de ensino. Serão 238 hectares totalmente irrigados, reafirmando o compromisso da Seagri tanto com a agricultura familiar quanto com os empresários do setor produtivo, que são o foco principal desse trabalho”.

O superintendente de Irrigação da Seagri, Joelmir Farias, ressaltou que o Perímetro Gavião inaugura um novo ciclo para a agricultura irrigada em Alagoas:

“Esse projeto não é apenas a implantação de lotes produtivos, mas um espaço de aprendizado e inovação. O Gavião vai servir como referência para demonstrar a eficiência da irrigação no Sertão, estimulando boas práticas e mostrando aos produtores que é possível ter segurança hídrica e sustentabilidade econômica. Nosso desafio é garantir que esse piloto abra caminho para novas áreas irrigadas e fortaleça, cada vez mais, a agricultura familiar e empresarial no Estado”.

Estrutura para transformar o Sertão

O perímetro soma 300 hectares, dos quais 238 hectares são destinados à agricultura irrigada. No total, são 19 lotes: três reservados para entidades de agricultura familiar, um lote técnico voltado à pesquisa e inovação, e 15 voltados a empresas do setor produtivo.

O presidente da Agecsa, Rogério Alcântara, detalhou a vocação do projeto:

“O Perímetro Gavião tem como finalidade a hortifruticultura, priorizando culturas de alto valor agregado e sistemas de irrigação de alta eficiência. Cada lote terá um reservatório próprio com capacidade de 300 metros cúbicos e infraestrutura de energia para que o produtor instale seu sistema”.

Ele reforçou que o Gavião representa um marco:

“É o primeiro piloto do Estado, mostrando finalmente a finalidade e o potencial produtivo do Canal do Sertão. A agricultura irrigada é um vetor de transformação econômica e social para Alagoas”.

Gestão compartilhada da água

A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) será responsável pela captação e manutenção da infraestrutura hídrica. O superintendente do Canal do Sertão, Raniel Gomes, explicou o modelo de gestão:

“A água só vai chegar ao perímetro do Gavião se tivermos condições ótimas de captação no canal. A cobrança será feita por macromedidores em uma única ligação, e a administração ficará a cargo da associação de produtores”.

Segundo ele, o projeto beneficia não apenas São José da Tapera, mas todo o semiárido:

“O perímetro do Gavião será fundamental para o desenvolvimento econômico do Sertão alagoano.”

Expectativa dos produtores

Para os agricultores, o sentimento é de esperança. Rogério Alcântara, também produtor e usuário do Canal, lembrou a longa espera até este momento:

“O primeiro trecho do Canal foi inaugurado em 2013. Agora, 12 anos depois, temos o primeiro perímetro irrigado. Estamos otimistas porque teremos um campo demonstrativo que vai nos ensinar a produzir de forma mais eficiente e a escolher as culturas mais apropriadas”.

Ele finalizou com um apelo:

“Esperamos mais assistência, mais acompanhamento do Estado e dos municípios, para que possamos ter um melhor desempenho nas nossas culturas e transformar de verdade a vida no Sertão”.

Água como vetor de mudança

Mais do que uma obra de engenharia, o Perímetro Gavião simboliza o início de uma nova fase no Canal do Sertão. A chegada da água do São Francisco para irrigação significa desenvolvimento regional, segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida para milhares de famílias sertanejas.

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