FPI reforça importância do monitoramento da água para consumo humano em Alagoas

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Sistema SISAGUA orienta políticas públicas e FPI atua em escolas para garantir água potável e prevenir doenças

A água potável é um recurso essencial à vida e, quando não chega em condições adequadas ao consumo, pode se tornar um fator de risco para a saúde pública. A Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco tem atuado de forma constante em Alagoas para verificar a qualidade da água que abastece comunidades e escolas, identificando falhas e orientando medidas corretivas.

De acordo com o responsável técnico pelo laboratório de análise de água da operação, Lúcio Flávio, a situação geral é considerada positiva. Ele explica que, na maioria das localidades, a água que chega às torneiras da população já passou por tratamento. “No geral, a qualidade da água que chega nas torneiras é própria para o consumo humano. São poucos os casos em que a água se mostra imprópria”, afirmou.

Ainda assim, os trabalhos da FPI revelam pontos específicos de atenção. As equipes de campo realizam coletas em diferentes locais, entre eles unidades de ensino, que recebem monitoramento especial. “Nas coletas realizadas em escolas, se a análise aponta que a água não está própria para consumo, a própria FPI já faz um encaminhamento do laudo para a unidade escolar de forma que providências sejam tomadas. Não é admissível que alunos e funcionários tenham acesso a água de má qualidade”, reforçou o técnico.

A preocupação se justifica. A água contaminada é um dos principais veículos de transmissão de doenças de “Veiculação hídrica” Entre as mais comuns estão a diarreia, a hepatite A, a febre tifoide e a cólera. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), as chamadas doenças diarreicas matam cerca de 485 mil pessoas por ano no mundo, muitas delas crianças. No Brasil, surtos regionais ligados ao consumo de água imprópria ainda são registrados, sobretudo em áreas com saneamento básico precário.

Em Alagoas, episódios de doenças relacionadas à água também representam uma preocupação. Municípios do semiárido, que dependem de sistemas simplificados de abastecimento ou de poços artesianos, muitas vezes enfrentam problemas de contaminação por bactérias, resíduos químicos ou excesso de sais. Nesses casos, a atuação da FPI é vista como essencial, já que o monitoramento contínuo possibilita identificar os riscos e cobrar soluções imediatas.

Vigilância da Qualidade da Água

Além do caráter emergencial, os relatórios e laudos produzidos pela FPI cumprem uma função estratégica ao serem enviados para o SISAGUA – Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano. Esse banco de dados nacional reúne informações coletadas em todos os estados brasileiros e serve de instrumento para o planejamento de políticas públicas e investimentos em infraestrutura.

“O SISAGUA é um sistema nacional de controle e fornecimento de dados para o governo. Ele serve exatamente para orientar as ações futuras que vão auxiliar no abastecimento de água para consumo humano, seja com novas estações, de tratamento de água, adequações ou manutenção das que já existem”, explicou Lúcio Flavio.

Esse monitoramento contínuo é fundamental porque permite que os gestores identifiquem quais municípios precisam de novas estações de tratamento, onde é necessário reforçar a manutenção e em quais locais a água já chega em conformidade. O objetivo é evitar que comunidades inteiras sejam expostas a riscos que poderiam ser prevenidos com investimentos direcionados.

Educação ambiental

Outro ponto de destaque é a atuação das equipes da FPI no campo da educação ambiental. Ao mesmo tempo em que coleta amostras e produz relatórios técnicos, a operação também busca sensibilizar a população sobre a importância de preservar mananciais, cuidar das fontes de abastecimento e entender a ligação direta entre água de qualidade e saúde pública. Essa abordagem integrada contribui para criar uma cultura de cuidado com os recursos hídricos.

Nas escolas, por exemplo, além do encaminhamento dos laudos, as equipes desenvolvem atividades educativas com alunos e professores, explicando de forma didática os impactos da água contaminada na saúde. Dessa forma, as crianças tornam-se multiplicadoras de conhecimento dentro de suas próprias famílias, reforçando o compromisso da FPI não apenas com a fiscalização, mas também com a formação de cidadãos conscientes.

A atuação conjunta de técnicos, educadores e órgãos fiscalizadores demonstra que garantir água potável não se resume apenas a análises laboratoriais, mas envolve também planejamento de longo prazo, investimentos em saneamento e conscientização da sociedade. Em regiões onde o abastecimento é mais vulnerável, esse esforço ganha ainda mais relevância, pois cada falha pode representar surtos de doenças e comprometimento da qualidade de vida.

Ao unir ciência, fiscalização e educação, a FPI reforça que o acesso à água de qualidade é um direito básico e que o trabalho de monitoramento é essencial para evitar riscos à saúde da população. Os dados coletados em Alagoas não apenas contribuem para soluções locais, mas também integram uma rede nacional que orienta as decisões do governo e fortalece a segurança hídrica em todo o país.

As equipes de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário Urbano e Rural são compostas pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), Conselho Regional de Química da 17ª Região (CRQ-17), Conselho Regional dos Técnicos Industriais da 3ª Região (CRT-3), Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE), Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).

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